Escola Dr. Bernardino Machado
História
História da Escola Dr. Bernardino Machado
A Escola Secundária Dr. Bernardino Machado, remonta a sua história ao ano de 1888, tendo sido criada por decreto de 13/6/1888 com a inicial designação de “Aula de Desenho Industrial”, começando a lecionar a 28 de outubro desse mesmo ano, assim se mantendo até 31/10/1889, data em que passou a denominar-se “Escola Industrial”. Conheceu ainda a designação “Escola Industrial D. Luís I” por decreto de 6/11/1889 para homenagear o monarca recentemente falecido.
Em 1891, a escola havia de ser suprimida mas um protesto continuado da população conseguiu recuperá-la junto do então Ministro das Obras Públicas, o Dr. Bernardino Machado, que a repôs em funcionamento, por Decreto de 20/10/1893.
A Edilidade Figueirense propôs o nome do Ministro para patrono da Escola, passando a chamar-se, até 6/4/1925, “Escola Industrial Dr. Bernardino Machado”. Mudou ainda várias vezes de designação, tornando a perder o nome do patrono em 1928.
Em 1930, aproveitou-se o facto de ter sido suprimida a Escola das Caldas da Rainha para se lhe pedir emprestado o nome de Tomás Bordalo Pinheiro (que nada tinha a ver com a Figueira da Foz ou com o seu estabelecimento de ensino) e a Escola foi designada “Escola Industrial e Comercial Tomás Bordalo Pinheiro”.
Finalmente, depois de recuperar e perder sucessivamente os estatutos de “comercial” e “industrial”, a partir de 2/2/1982, a velha Escola Figueirense recuperou a sua identidade e voltou a recuperar o nome do seu patrono Bernardino Machado.
Ao longo destes anos, a escola funcionou numas águas furtadas do edifício da Câmara Municipal, o que fazia com que as salas de aulas não fossem as mais adequadas para satisfazer as exigências do ensino técnico, situação ainda mais agravada pela ausência de oficinas. Tornava-se urgente encontrar um espaço para as suas instalações. A solução adotada consistiu na aquisição pelo Estado, através de expropriação por utilidade pública, de um terreno pertencente ao Visconde da Marinha Grande, sogro de Gaspar de Lemos, entre as ruas da Bica, da Misericórdia e Fernandes Coelho, no local então designado de Pinhal.
“O edifício, cujo projeto inicial foi da autoria do arquiteto Edmundo Tavares que, em finais de 1925, fora nomeado professor da Escola Industrial (lecionando a cadeira de Desenho Arquitetónico), levou mais de 10 anos a ser construído (as obras foram iniciadas em maio de 1926). A demora no acabamento deveu-se à interrupção das obras por falta de verba (em dezembro de 1926) e à confusão política que se sucedeu à queda da I República. No entanto, a relativa grandiosidade e complexidade do edifício, bem como alguns erros de conceção e execução, também contribuíram para o atraso. (Rui Cascão).
Em finais do ano 1933, a Comissão Administrativa das obras foi demitida e foi nomeado o engenheiro António de Almeida Brito (então Diretor do Porto da Figueira). Este apresentou um novo projeto para o edifício e da estrutura anterior só foram aproveitadas as paredes-mestras e parte da cobertura. Em 1937 o edifício principal, com suas salas e oficinas, estava concluído e a partir de 1940 totalmente mobiliado e equipado, pronto para receber os 400 alunos que continuavam no edifício dos Paços do Concelho.
Um Decreto de 1948 previa a construção de um anexo para oficinas (de serralharia, carpintaria e eletricidade) e instalações para Educação Física. Em 28 de Maio de 1956, foi inaugurado um novo pavilhão, onde ficaram alojadas as novas oficinas e o ginásio da Escola, que importaram em 5.200 contos e ocupavam uma área de 4.500 metros quadrados. As obras foram financiadas através de verbas inscritas no I Plano de Fomento.
A Escola Bernardino Machado está na origem do ensino técnico na Figueira da Foz e considerando a sua criação em 1888, pode afirmar-se que é uma das escolas mais antigas do país.
Ao longo de três séculos, marcados por significativos acontecimentos históricos, acompanhou e participou na construção de uma cidade que soube afirmar-se e integrar-se plenamente nos contextos sociais, culturais e económicos da atualidade.
Do ponto de vista arquitetónico, este edifício constitui um marco inaugural na modernização estética da cidade, processo que se afirma, a partir de 1928, com a introdução da linguagem Art Déco na Figueira da Foz por Edmundo Tavares. Tal gramática reflete-se de forma evidente nos alçados da Escola Industrial e ecoa, posteriormente, em vários traços da arquitetura local.
Desde 2012, a Escola Secundária Dr. Bernardino Machado é a sede do Agrupamento de Escolas Figueira Mar.
(informações fornecidas pela Câmara Municipal de Figueira da Foz)
